Canção do exílio de Iracema

4º colocado

Prêmio Afelce 2023

Sem Fortalezas, sem salvação

Migrei, já morta

Da velha taba para os Novos Burgos

Para a selva de concreto que aprisiona o Sabiá

Que não canta, Onde canta o Sabiá?

Nos templos de consumo onde não há palmeiras

Só evasão da vida, consumida

Onde não há Iracema, só

American way of life

Fui atrás do criador, do Tupã-homem

Nome de riacho de água dura

De água morta, de pedra morta, de piche

Sabiá de piche em ação, pichação

E eu agora, já tão morta

Vivo perto do riacho escuro do Tupã-homem,

Às margens do grande rio de asfalto que rasga

As cidades, as selvas malditas

Somos tantas Iracemas, indignas de viver

Iracemas y Jucas, Piramas, amaldiçoados

Párias com olhos vazios, sem terras, sem nada

Somos tantas Iracemas e Sabiás mortos

Sem escolas, sem esmolas

Sob pontes, às margens de riachos-esgotos

Onde cantam Sabiás já mortos

Sou Iracema, já tão morta,

Ainda exposta ao desprezo, ao desgosto

Às margens do grande rio também morto

Que rasga as selvas malditas

Onde estou, Iracema?

Onde estás, Sabiá?

Publicado por eleniltosaldanhadamasceno

Sou professor de Língua Portuguesa e de Literatura, escritor, editor, revisor e jornalista. Sou mestre em Letras/Estudos de Literatura, especialista em Literatura Brasileira, graduado em Letras e em Jornalismo. Tenho 57 anos, nasci e sempre vivi em São Leopoldo/RS.

2 comentários em “Canção do exílio de Iracema

    1. Muito obrigado, amigo! Hoje, faz exatamente seis meses que recebi o troféu; para marcar esse fato, publiquei o poema. Não sou poeta.
      Para minha alegria e surpresa, “Canção do exílio de Iracema” foi premiado com o quarto lugar no Prêmio Afelce 2023, concurso literário nacional promovido pela Academia Feminina de Letras do Ceará.

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