4º colocado
Prêmio Afelce 2023
Sem Fortalezas, sem salvação
Migrei, já morta
Da velha taba para os Novos Burgos
Para a selva de concreto que aprisiona o Sabiá
Que não canta, Onde canta o Sabiá?
Nos templos de consumo onde não há palmeiras
Só evasão da vida, consumida
Onde não há Iracema, só
American way of life
Fui atrás do criador, do Tupã-homem
Nome de riacho de água dura
De água morta, de pedra morta, de piche
Sabiá de piche em ação, pichação
E eu agora, já tão morta
Vivo perto do riacho escuro do Tupã-homem,
Às margens do grande rio de asfalto que rasga
As cidades, as selvas malditas
Somos tantas Iracemas, indignas de viver
Iracemas y Jucas, Piramas, amaldiçoados
Párias com olhos vazios, sem terras, sem nada
Somos tantas Iracemas e Sabiás mortos
Sem escolas, sem esmolas
Sob pontes, às margens de riachos-esgotos
Onde cantam Sabiás já mortos
Sou Iracema, já tão morta,
Ainda exposta ao desprezo, ao desgosto
Às margens do grande rio também morto
Que rasga as selvas malditas
Onde estou, Iracema?
Onde estás, Sabiá?

Bom dia Damasceno! Parabéns pelo prêmio de reconhecimento do teu talento. Que recebas muitos outros! Um abraço, Bazza.
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Muito obrigado, amigo! Hoje, faz exatamente seis meses que recebi o troféu; para marcar esse fato, publiquei o poema. Não sou poeta.
Para minha alegria e surpresa, “Canção do exílio de Iracema” foi premiado com o quarto lugar no Prêmio Afelce 2023, concurso literário nacional promovido pela Academia Feminina de Letras do Ceará.
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