Breve notícia biográfica sobre Fernando Pessoa

Fernando Antônio Nogueira Pessoa nasceu em Lisboa, no dia 13 de junho de 1888. Aos cinco anos, seu pai faleceu. A mãe casou novamente; em 1895, a família foi morar em Durban, na África do Sul.

Na juventude, Fernando Pessoa cursou Administração na Cidade do Cabo. Não concluiu o curso, uma vez que, com a morte do padrasto, retornou com a mãe e os irmãos para Portugal. Iniciou o curso superior em Letras em Lisboa, mas desistiu antes de concluí-lo.

Criado numa colônia britânica, a Língua Inglesa era seu segundo idioma. Trabalhou como correspondente estrangeiro em casas comerciais e como tradutor. Interessado por Astrologia e ocultismo, passou a confeccionar horóscopos.

Em 1912, publicou seus primeiros ensaios críticos sobre poesia portuguesa moderna na revista A águia. Em 1914, criou seus três principais heterônimos (Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis), personagens com personalidades definidas, por vezes contraditórias, às quais atribuía a autoria de poemas em três estilos diferentes.

Alberto Caeiro é personagem-poeta caracterizado como observador descrente da vida que escrevia com refinada ironia. Revolucionário da forma, eliminou o ritmo da composição poética. Sua temática sobre o mundo das sensações humanas diante da vida e da natureza negava a transcendência. Adepto do Naturalismo, afirmava que “as coisas não são senão elas próprias”.

Álvaro de Campos, personagem-poeta influenciado pelo poeta estadunidense Walt Whitman, celebrava a vida urbana, a modernidade e o avanço técnico. Revolucionário das ideias, o ritmo era norma na sua poesia, mas a palavra surgia como irrupção violenta e desordenada de uma personalidade combativa e enérgica, revezada com a expressão de uma personalidade, por vezes, meditativa e bem-humorada.

Ricardo Reis é personagem-poeta inspirado na poesia horaciana, compositor de odes bucólicas e elegíacas em estilo neoclássico, as quais reuniam crenças e valores pagãos e cristãos.

O poeta português criaria, ainda, outros heterônimos. Sua biografia inclui essas outras curiosas biografias de seres imaginários que, por mais de uma década, foram considerados pessoas reais pelo público leitor.

Os poemas cuja autoria Fernando Pessoa assumia publicamente eram mais simples e emocionados. Eram textos mais alinhados às formas tradicionais, mas abordavam aspectos místicos pouco comuns.

Em 1915, a revista Orfeu publicou seus primeiros poemas em Língua Portuguesa. Nesse veículo impresso, se formou o grupo de literatos que veio a organizar o movimento futurista. Fernando Pessoa era um dos líderes do movimento e publicava poesias, manifestos, artigos e panfletos sobre novas ideias estéticas no campo da Literatura, precursoras do Modernismo em Portugal.

Em 1918, publicou seu primeiro livro, 35 Sonets, com poemas em Língua Inglesa. Em 1921, fundou a editora Olisipo e publicou os English Poems I, II e III.  Entre 1924 e 1925, Fernando Pessoa dirigiu a revista Atena e, a partir de 1927, escreveu na revista Presença.

Assim, através da produção de poesias, cartas, artigos, ensaios e críticas para revistas culturais, Fernando Pessoa exercitava e propunha uma personalíssima prática estética. Sempre combatido pelos literatos tradicionalistas, afirmava que “não havia público para seus versos”. Em vida, teve seu valor reconhecido apenas pelos círculos restritos da boemia literária de Lisboa.

Em 1934, Fernando Pessoa publicou aquela que almejava ser sua maior obra: Mensagem. Inscreveu-a para concorrer a um prêmio literário promovido pelo Secretariado de Propaganda Nacional, órgão do regime ditatorial salazarista que apoiava a exaltação do nacionalismo português. Ficou em segundo lugar no concurso, vencido por Romaria, de Vasco Reis. Mensagem é seu único livro de poesias em Língua Portuguesa.

No dia 30 de novembro de 1935, Fernando Pessoa morreu de infecção hepática, em um hospital de Lisboa. Após sua morte, seus textos foram reunidos e passaram a ser publicados.

Em 1956, em oito volumes, foram publicadas as Obras completas em prosa e versos. A partir de então, Fernando Pessoa passou a ser considerado o maior nome do Modernismo em Portugal e, ainda hoje, o maior poeta luso desde Camões, pois influencia, decisivamente, a poesia e os poetas até os dias de hoje.

Enquanto era vivo, Fernando Pessoa publicou as seguintes obras:

  • Ultimatum (1917), com o heterônimo Álvaro de Campos, obra que sempre negou ser de sua autoria;
  • 35 Sonets (1918), livro de poemas em Língua Inglesa;
  • English Poems I e II (1921);
  • English Poems III (1921);
  • Aviso por causa da moral (1923), prosa com o heterônimo Álvaro de Campos;
  • Sobre um manifesto de estudantes (1923), prosa;
  • Interregno: defesa e justificação da ditadura militar em Portugal (1928), prosa com teor político;
  • Mensagem (1934), o único livro de poemas em Língua Portuguesa publicado e assinado pelo poeta;
  • A maçonaria: associações secretas (1935), sobre a ideologia política, filosófica e mística seguida pelo poeta.

Após sua morte, a obra do poeta foi reunida e publicada. Complementam a bibliografia de Pessoa:

  •  À memória do presidente-rei Sidônio Pais (1940);
  •  Poesias (1942);
  •  A nova poesia portuguesa (1944), crítica literária;
  •  Poesias, de Álvaro Campos (1944);
  •  Vinte cartas de Fernando Pessoa (1944);
  •  Cartas de Fernando Pessoa a Armando Cortes Rodrigues (1945);
  • Odes, de Ricardo Reis (1946);
  •  Páginas de doutrina estética (1946), coletânea de artigos de crítica e poética publicados em jornais e revistas, nos quais o autor expõe sua proposta estética;
  •  Poemas, de Alberto Caeiro (1946);
  •  O preconceito da ordem (1949);
  •  A nossa crise: seus aspectos político, moral e intelectual (1950);
  •  O Orpheu e a Literatura Portuguesa (1952);
  •  Poemas dramáticos (1952);
  •  Poemas inéditos (1953);
  •  Poesias inéditas (1955);
  • Obras completas de Fernando Pessoa (1956), com Mensagem e toda as obras listadas anteriormente, publicadas entre 1942 e 1956;
  •  Poesias inéditas (1956);
  •  Cartas de Fernando Pessoa a João Gaspar Simões (1957);
  •  Poesia (1957);
  •  Quadras ao gosto popular (1965), composições com versos simples e populares;
  •  Páginas íntimas e de autointerpretação (1966);
  •  Poesie (1967);
  •  Textos filosóficos (1968);
  •  O livro do desassossego (1982), última obra inédita atribuída a Fernando Pessoa, com o heterônimo Bernardo Soares.
Foto por cottonbro em Pexels.com

Publicado por eleniltosaldanhadamasceno

Sou professor de Língua Portuguesa e de Literatura, jornalista e iniciei, em 2020, minhas atividades como escritor em formação e em ação. Sou mestre em Letras/Estudos de Literatura, especialista em Literatura Brasileira, graduado em Letras e em Jornalismo. Tenho 54 anos, nasci e sempre vivi em São Leopoldo/RS.

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