Sobre o fim da vida

Acredito que é a maturidade que cria o momento em que um indivíduo adquire um terreno para seu próprio sepultamento. Em cada núcleo familiar, é importante que alguém atinja essa maturidade, até mesmo para amenizar as dificuldades que as demais pessoas enfrentarão em situações indesejadas de perda e de luto.

Mesmo que a compreensão sobre a morte seja diferente para cada pessoa e em cada cultura, ela é um dos fatos mais naturais da vida. A vida passa, e somos efêmeros. Vivemos, normalmente, ansiosos diante de tanta informação, sempre preocupados em receber e assimilar novidades, mas essa espiral de pressa e ânsia pelo novo não modifica a realidade de que tudo é transitório e finito.

Ninguém é diferente, a morte é democrática e não exclui ninguém. Se você é jovem, certamente, não se preocupará com essas questões (e isso, também, é natural). Todavia, se já estás na chamada “meia-idade” ou na “terceira idade”, pensar sobre essas questões ainda te incomoda? Sugiro que penses na morte como uma situação que não ameace ou te impeça de aproveitar todos os futuros dias com alegria de viver, mesmo em momentos de enfrentamento de situações difíceis. Tudo isso passa, até o limite do que não deve ser mais. Até esse “stop”, procure viver até o limite do que pode ser. Assim, quando o dia da morte chegar (e vai chegar), estarás satisfeito com a vida que viveste, e isso é o que, realmente, faz sentido.

DAMASCENO, Elenilto Saldanha. Sobre o fim da vida. Jornal VS, São Leopoldo, p. 11, 29 mar. 2019.

* É interessante notar que o texto foi publicado um ano antes de a pandemia de Covid-19 começar a transformar a vida cotidiana no Brasil. O artigo reflete sobre a naturalidade da morte, mas sua leitura pode estabelecer novas questões e reflexões para os dias atuais, neste país tragicamente assolado pela morte, não por vias naturais, mas por força da banalização e da promoção da morte por um regime necropolítico representado, explicitamente, pela figura de um governante desnaturado.

Foto por Gratisography em Pexels.com

Publicado por eleniltosaldanhadamasceno

Sou professor de Língua Portuguesa e de Literatura, jornalista e iniciei, em 2020, minhas atividades como escritor em formação e em ação. Sou mestre em Letras/Estudos de Literatura, especialista em Literatura Brasileira, graduado em Letras e em Jornalismo. Tenho 53 anos, nasci e sempre vivi em São Leopoldo/RS.

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